poder verdadeiro
é abdicar do poder
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
Ela já lera o bilhete por anos ininteligível dezenas de vezes, entre soluços e lágrimas. Sentava-se na beira da cama, nua, olhando a estrada depois da janela muito depois da silhueta ter desaparecido. O vento entrando e espalhando as folhas dessa história que tentava escrever havia já muito tempo. E agora tentava costurar a colcha incolor das folhas espalhadas pelos arbustos no quintal. Ali, cercada, brincara de ciranda com seu amor por dias, meses, anos, talvez décadas. Há quem jure que há milhares e milhares de anos, entre arquiteturas que se diferenciavam de tempos em tempos. O choro convulso cegava pra muito além de si. Mal enxergava as próprias mãos segurando o bilhete com letras azuis, tremidas. Previsões, escolhas, limites eram o leque de objetividades a que teria de se acostumar. E o medo a lhe exibir dentes amarelados.
Não adianta... ela não sabia escrever histórias, por mais que tentasse. Não sabia sequer contar a sua sem esses mergulhos, sem divagações, a narrativa não evoluía. É a literatura pós-moderna, é a literatura pós-moderna! Ignoro. Mas é o que dizem, que os fatos importam menos que as reflexões que suscitam. E a narrativa se perdia na subjetivaidade de quem escrevia.
Tirara o óculos que lhe cicatrizava a cara, marca de sua civilidade iluminista, de sua racionalidade positivista e voltava à humanidade perdida da entrega, à lágrima que precedia qualquer filosofia. Agora, poesia sequer saía-lhe dos dedos. Os dias foram devorando um a um os seus mais queridos poemas ainda não escritos. As traças cuidaram do resto.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
Ela já lera o bilhete por anos ininteligível dezenas de vezes, entre soluços e lágrimas. Sentava-se na beira da cama, nua, olhando a estrada depois da janela muito depois da silhueta ter desaparecido. O vento entrando e espalhando as folhas dessa história que tentava escrever havia já muito tempo. E agora tentava costurar a colcha incolor das folhas espalhadas pelos arbustos no quintal. Ali, cercada, brincara de ciranda com seu amor por dias, meses, anos, talvez décadas. Há quem jure que há milhares e milhares de anos, entre arquiteturas que se diferenciavam de tempos em tempos. O choro convulso cegava pra muito além de si. Mal enxergava as próprias mãos segurando o bilhete com letras azuis, tremidas. Previsões, escolhas, limites eram o leque de objetividades a que teria de se acostumar. E o medo a lhe exibir dentes amarelados.
Não adianta... ela não sabia escrever histórias, por mais que tentasse. Não sabia sequer contar a sua sem esses mergulhos, sem divagações, a narrativa não evoluía. É a literatura pós-moderna, é a literatura pós-moderna! Ignoro. Mas é o que dizem, que os fatos importam menos que as reflexões que suscitam. E a narrativa se perdia na subjetivaidade de quem escrevia.
Tirara o óculos que lhe cicatrizava a cara, marca de sua civilidade iluminista, de sua racionalidade positivista e voltava à humanidade perdida da entrega, à lágrima que precedia qualquer filosofia. Agora, poesia sequer saía-lhe dos dedos. Os dias foram devorando um a um os seus mais queridos poemas ainda não escritos. As traças cuidaram do resto.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Um amigo me disse que o massa da revista Playboy são as reportagens e as entrevistas com intelectuais e artistas que ela tem.
Eu disse que o massa da Playboy é na verdade que ela assume abertamente o fetiche sexual do intelectual brasileiro.
Eu disse que o massa da Playboy é na verdade que ela assume abertamente o fetiche sexual do intelectual brasileiro.
a última noite
a pele é uma atrocidade
a pele é a mais atroz das belezas humanas
uma rosa vermelha passeando pela pele dessa mulher em que você se transformou
é minha poesia
um rosa vermelha passeando pelos lábios dessa mulher em que você se transformou
é minha poesia
(a beleza desconcertante da pele)
beber vinho na pequena taça do teu umbigo
a leveza líquida da pele
dormir em ti
dentro
e ter você dentro da minha boca
sentindo, forte, linda
eu escrevendo com minha língua
poemas de amor sobre a tua pele repleta de cheiros
sobre a tua pele encharcada de desejos
quero saber teu sabor
quero ver a tua pele, ma petit cherry
ver toda a tua pele, ma petit mort
quero sentir o abraço de tuas pernas
me arranhando com a boca
me mordendo com as unhas
afogada entre minhas vértebras
à deriva sobre minha pele
deslizam sobre a pele
dedos e lençóis
hipnose da epiderme
quero você dentro da minha boca
minha língua passeando
pelo umbigo que anuncia entradas secretas
das mãos que começam o paraíso
que afastam os véus do ocultamento
quero você apertada contra mim
debaixo de mim
sobre mim
de costas pra mim
até me derramar em ti
o cheiro da tua pele agridoce
úmida
e quente
ofegante de mim
há partes secretas no corpo
sob os pêlos
debaixo dos dedos
molhada como lençóis freáticos
nua
só a tua pele alva
branca
substituta das luas
satélite dos meus desejos
te dou um banho de mim
até que eu possa encher a pequena taça do teu umbigo
vc quer me beber?
revela pra mim tuas obscuridades
deixa que eu te contemple como a mais sagrada e profana natureza
deixe que meu olho se delicie com a luz da tua pele branca
deixa que minha memória se alimente de ti
deixa que minha alma se recorde de ti
de ti e de mim
inteiro deitado sobre a tua pele
sobre o mar luminoso de teus poros de leite
tua pele macia e quente
me pedindo
me implorando
pra ser penetrada
pra ser tocada
contemplada
ilumina de vez tua gruta escondida e úmida
eu quero senti-la nos olhos
deixa eu sentir no sabor da tua sombra a força que há nos desejos
eu te invado os sonhos dessa noite
te invadirei como um rio de orgasmo que te encherá o corpo e a alma
com a pureza de um desejo cravado como espinho na minha alma de carne
de que sua alma é feita?
sob teus braços
sob teus abraços
mergulhado na tua carne
eu me afogo nos poros que se abrem
e te me entregam
com a força dos desejos inteiros
com a força dos desejos antigos
eu, com minha língua de poesia,
te penetro inteirinha
em todos os sentidos
com todos os sentidos
condensados
a dizer que eu vim só dar
despedida...
a pele é a mais atroz das belezas humanas
uma rosa vermelha passeando pela pele dessa mulher em que você se transformou
é minha poesia
um rosa vermelha passeando pelos lábios dessa mulher em que você se transformou
é minha poesia
(a beleza desconcertante da pele)
beber vinho na pequena taça do teu umbigo
a leveza líquida da pele
dormir em ti
dentro
e ter você dentro da minha boca
sentindo, forte, linda
eu escrevendo com minha língua
poemas de amor sobre a tua pele repleta de cheiros
sobre a tua pele encharcada de desejos
quero saber teu sabor
quero ver a tua pele, ma petit cherry
ver toda a tua pele, ma petit mort
quero sentir o abraço de tuas pernas
me arranhando com a boca
me mordendo com as unhas
afogada entre minhas vértebras
à deriva sobre minha pele
deslizam sobre a pele
dedos e lençóis
hipnose da epiderme
quero você dentro da minha boca
minha língua passeando
pelo umbigo que anuncia entradas secretas
das mãos que começam o paraíso
que afastam os véus do ocultamento
quero você apertada contra mim
debaixo de mim
sobre mim
de costas pra mim
até me derramar em ti
o cheiro da tua pele agridoce
úmida
e quente
ofegante de mim
há partes secretas no corpo
sob os pêlos
debaixo dos dedos
molhada como lençóis freáticos
nua
só a tua pele alva
branca
substituta das luas
satélite dos meus desejos
te dou um banho de mim
até que eu possa encher a pequena taça do teu umbigo
vc quer me beber?
revela pra mim tuas obscuridades
deixa que eu te contemple como a mais sagrada e profana natureza
deixe que meu olho se delicie com a luz da tua pele branca
deixa que minha memória se alimente de ti
deixa que minha alma se recorde de ti
de ti e de mim
inteiro deitado sobre a tua pele
sobre o mar luminoso de teus poros de leite
tua pele macia e quente
me pedindo
me implorando
pra ser penetrada
pra ser tocada
contemplada
ilumina de vez tua gruta escondida e úmida
eu quero senti-la nos olhos
deixa eu sentir no sabor da tua sombra a força que há nos desejos
eu te invado os sonhos dessa noite
te invadirei como um rio de orgasmo que te encherá o corpo e a alma
com a pureza de um desejo cravado como espinho na minha alma de carne
de que sua alma é feita?
sob teus braços
sob teus abraços
mergulhado na tua carne
eu me afogo nos poros que se abrem
e te me entregam
com a força dos desejos inteiros
com a força dos desejos antigos
eu, com minha língua de poesia,
te penetro inteirinha
em todos os sentidos
com todos os sentidos
condensados
a dizer que eu vim só dar
despedida...
quarta-feira, 29 de julho de 2009
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