quarta-feira, 2 de julho de 2008

Tendo abraçado o inevitável, perdi o medo. Vou lhes contar um segredo sobre o medo: ele é um absolutista. Com o medo, é tudo ou nada. Ou bem, como um tirano arrogante, ele manda na nossa vida com uma onipotência estúpida, que nos torna cegos, ou bem a gente o derruba, e seu poder se esvanece em fumaça. Mais um segredo: a revolução contra o medo, a trama que leva à derrubada daquele déspota ridículo, não tem muito a ver com a tal da "coragem". O que a impele é uma coisa mauito mais direta: a necessidade pura e simples de tocar a vida para a frente. Parei de ter medo porque, se minha passagem pela terra seria breve, eu não tinha tempo de ter medo.

(Salma Rushdie. O último suspiro do mouro, p. 174)

2 comentários:

Raquel disse...

oi léo;
Muito interessante esse trecho citado. Um outro fato curioso é que nós,seres humanos,também sentimos prazer no medo.Como dizia Cecília Meireles: “A solidez da terra, monótona, parece-nos fraca ilusão. Queremos a ilusão do grande mar, multiplicada em suas malhas de perigo...”
também tento não deixar que o medo acabe com o que há de mais precioso na minha vida: a capacidade de correr o risco!
bjo.
goodbye.

Leonardo Filizolla disse...

"...a necessidade pura e simples de tocar a vida para a frente. Parei de ter medo porque, se minha passagem pela terra seria breve, eu não tinha tempo de ter medo."

muito bom o texto,não conhecia.


www.carimbador-maluco.blogspot.com